O setor aéreo europeu demonstrou preocupação com a implementação completa do Entry/Exit System (EES), novo sistema digital de controle de fronteiras do Espaço Schengen. A tecnologia deverá registrar automaticamente a entrada e saída de viajantes de fora da União Europeia, mas empresas do setor alertam que a adoção total pode provocar longas filas nos aeroportos durante o período de maior movimento do turismo.
O alerta ganhou força após manifestações de representantes do Groupe ADP, empresa responsável pela administração dos dois principais aeroportos de Paris: Charles de Gaulle e Orly. Segundo executivos do grupo, o cronograma atual de implantação pode gerar congestionamento no fluxo de passageiros justamente no pico do verão europeu.
A previsão é que o sistema entre em funcionamento obrigatório em abril, poucos meses antes da temporada de férias na Europa. O setor teme que a mudança no modelo de controle migratório cause atrasos e filas acima do normal em terminais internacionais.

Aeroportos de Paris pedem adiamento da implementação
Representantes do Groupe ADP defenderam publicamente o adiamento da entrada completa do sistema para um período posterior ao verão europeu. A proposta apresentada pelo grupo é que a obrigatoriedade seja transferida para o final de setembro.
De acordo com executivos da empresa, a implantação imediata pode gerar dificuldades operacionais nos aeroportos, especialmente durante os meses de julho e agosto, quando milhões de turistas chegam ao continente.
A vice-diretora executiva da companhia, Justine Coutard, afirmou à imprensa francesa que ampliar os controles biométricos antes do outono europeu seria uma decisão arriscada.
Segundo ela, os testes realizados até agora ocorreram em escala limitada e já apresentaram obstáculos técnicos, mesmo sem o volume real de passageiros esperado para a alta temporada.
Testes do sistema já indicam possíveis dificuldades
Durante os testes iniciais do Entry/Exit System, os aeroportos administrados pelo Groupe ADP observaram situações que exigiram retorno temporário aos procedimentos tradicionais de controle de passaportes.
Segundo a executiva, sempre que o sistema apresenta falhas ou demora excessiva no atendimento, as autoridades voltam a utilizar o método manual para evitar paralisações no fluxo de passageiros.
Esse tipo de medida preventiva, de acordo com os gestores aeroportuários, é essencial para evitar impactos operacionais em aeroportos que recebem milhões de pessoas por ano.
Mesmo assim, especialistas do setor afirmam que a implementação total do sistema pode exigir mudanças significativas na estrutura dos terminais.
Tempo adicional por passageiro preocupa autoridades
Uma das principais preocupações levantadas pelas autoridades aeroportuárias envolve o tempo necessário para realizar a verificação biométrica dos viajantes.
Estimativas do setor indicam que o novo processo pode adicionar entre 30 e 90 segundos ao atendimento de cada passageiro vindo de fora da União Europeia.
Em aeroportos com alto volume de tráfego internacional, como os de Paris, esse tempo adicional pode gerar filas significativas durante os horários de maior movimento.
Segundo representantes do Groupe ADP, a infraestrutura atual dos terminais não foi projetada para absorver esse aumento no tempo de processamento.
Previsão de recorde de passageiros no verão europeu
Outro fator que aumenta a preocupação do setor é a expectativa de crescimento no número de passageiros durante o verão europeu.
As projeções indicam que o volume de viajantes nos meses de julho e agosto pode ultrapassar os níveis registrados antes da pandemia.
Esse cenário aumenta o risco de congestionamento nos aeroportos caso o sistema de controle de fronteiras esteja operando em plena capacidade.
Segundo o Groupe ADP, a combinação entre grande fluxo de turistas e novos procedimentos biométricos pode gerar atrasos significativos.
Relatos de filas já ocorrem em alguns aeroportos
Problemas relacionados ao sistema de controle de fronteiras já foram registrados em alguns aeroportos do Espaço Schengen.
Em Portugal, por exemplo, o sistema foi suspenso no aeroporto de Lisboa desde dezembro devido ao aumento nas filas.
Após a suspensão temporária, as autoridades relataram melhora no fluxo de passageiros e redução no tempo de espera.
Esses episódios reforçaram o alerta feito por companhias aéreas e operadores aeroportuários em toda a Europa.
Companhias aéreas alertam para filas de até quatro horas
Associações que representam aeroportos e companhias aéreas europeias também demonstraram preocupação com o novo sistema.
Em uma declaração conjunta divulgada recentemente, representantes do setor alertaram que o tempo de espera pode chegar a quatro horas ou mais em alguns terminais.
O problema tende a ocorrer principalmente em aeroportos que recebem grande número de passageiros internacionais.
Para o setor aéreo, a implementação gradual ou o adiamento da obrigatoriedade poderia reduzir riscos operacionais.
Possibilidade de suspensão temporária do sistema
Embora a implementação completa esteja prevista para 10 de abril, o regulamento europeu permite ajustes caso ocorram problemas técnicos.
De acordo com as regras atuais, os países podem suspender temporariamente o sistema por até 90 dias.
Essa possibilidade permitiria interromper a utilização do EES até o início de julho, caso dificuldades sejam identificadas.
Além disso, a Comissão Europeia autorizou uma extensão adicional de até 60 dias para cobrir o período do verão europeu.
O que é o Entry/Exit System (EES)
O Entry/Exit System é um sistema automatizado criado pela União Europeia para registrar digitalmente a entrada e saída de viajantes provenientes de países fora do Espaço Schengen.
O sistema será utilizado principalmente para visitantes que realizam viagens de curta duração, com permanência máxima de 90 dias.
Ao chegar a um país participante, o viajante terá seus dados registrados eletronicamente, incluindo informações biométricas como impressões digitais e reconhecimento facial.
Esses dados serão armazenados em uma base digital compartilhada entre os países participantes.
Objetivos da União Europeia com o novo sistema
A União Europeia afirma que a criação do EES tem como objetivo modernizar os controles de fronteira.
Entre os principais benefícios apontados pelas autoridades estão:
• Agilizar o controle migratório
• Reforçar a segurança nas fronteiras
• Combater fraudes de identidade
• Controlar o tempo de permanência de visitantes
O sistema também permitirá que autoridades identifiquem rapidamente viajantes que ultrapassem o período permitido de permanência.
Além disso, o EES substituirá gradualmente o carimbo manual de passaportes utilizado atualmente.
Implementação do sistema foi adiada diversas vezes
A implementação do Entry/Exit System passou por diversos adiamentos desde que foi anunciada pela União Europeia.
Inicialmente, a previsão era de que o sistema estivesse em funcionamento já em 2022.
No entanto, dificuldades técnicas e operacionais levaram ao adiamento da implantação em vários países.
Entre os países que enfrentaram desafios na implementação estão Alemanha, França e Holanda, que juntos concentram cerca de 40% do fluxo de passageiros estrangeiros no Espaço Schengen.
Países que participarão do novo sistema
O Entry/Exit System será utilizado por diversos países europeus que fazem parte do Espaço Schengen.
Entre eles estão:
• Áustria
• Bélgica
• Bulgária
• Croácia
• República Tcheca
• Dinamarca
• Estônia
• Finlândia
• França
• Alemanha
• Grécia
• Hungria
• Islândia
• Itália
• Letônia
• Liechtenstein
• Lituânia
• Luxemburgo
• Malta
• Holanda
• Noruega
• Polônia
• Portugal
• Romênia
• Eslováquia
• Eslovênia
• Espanha
• Suécia
• Suíça
Esses países utilizarão a mesma base de dados para registrar as entradas e saídas de viajantes provenientes de fora da União Europeia.
O objetivo é criar um sistema integrado de controle migratório em todo o território Schengen.
