Depois de seis anos sem operar regularmente com passageiros, o tradicional Expresso Oriental, popularmente conhecido como “Trem da Morte”, voltou a realizar viagens entre a fronteira do Brasil e a cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. A retomada ocorreu em fevereiro e marca uma nova fase para a ferrovia, que agora aposta em maior conforto e no potencial turístico do trajeto.
A linha ferroviária conecta a cidade boliviana de Puerto Quijarro, localizada na fronteira com Corumbá, no Mato Grosso do Sul, até Santa Cruz de la Sierra, um dos principais centros urbanos da Bolívia. O percurso atravessa regiões naturais marcantes e voltou a chamar a atenção de viajantes interessados em explorar o interior do país por terra.
Com aproximadamente 600 quilômetros de extensão, a viagem pode durar até 17 horas, dependendo das condições da ferrovia e das paradas realizadas ao longo do trajeto. Mesmo com o apelido que desperta curiosidade, o trem tem atraído turistas que buscam experiências diferentes na América do Sul.

Trajeto do Trem da Morte liga Brasil à Bolívia
A viagem começa em Puerto Quijarro, cidade boliviana situada na divisa com o Brasil. O município está praticamente integrado à cidade brasileira de Corumbá, localizada a cerca de 428 quilômetros de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.
Após a partida, o trem percorre diversas regiões do leste boliviano até chegar a Santa Cruz de la Sierra, considerada uma das cidades mais importantes do país em termos econômicos e logísticos.
Durante o percurso, os passageiros atravessam áreas de grande diversidade natural, com paisagens que incluem vales, florestas e formações geográficas típicas da região conhecida como Chiquitania.
O trajeto também inclui paradas estratégicas em determinadas localidades, permitindo que os viajantes observem o entorno e registrem fotografias das paisagens.
Paisagens naturais são destaque da viagem
Um dos principais atrativos da viagem é justamente o cenário ao longo da ferrovia. A região atravessada pelo trem é marcada por áreas de vegetação preservada e por paisagens que variam entre florestas tropicais, planícies e formações rochosas.
Para muitos viajantes, a travessia ferroviária é uma forma de conhecer uma parte menos explorada da Bolívia, distante dos circuitos turísticos mais tradicionais.
Além da paisagem, o ritmo da viagem também contribui para uma experiência mais contemplativa, já que o trajeto é realizado em velocidade moderada.
Esse tipo de deslocamento é especialmente procurado por viajantes interessados em conhecer a América do Sul de maneira mais autêntica.
Quanto custa viajar no Trem da Morte
Os preços das passagens variam conforme o tipo de assento disponível no trem. Atualmente, os valores ficam em torno de 220 a 230 bolivianos, o que corresponde aproximadamente a R$ 168 a R$ 176, dependendo da cotação da moeda.
Os bilhetes podem ser adquiridos online por meio de plataformas especializadas na venda de passagens na Bolívia ou diretamente no site oficial da companhia ferroviária responsável pela operação.
Apesar da possibilidade de comprar o bilhete presencialmente na estação, especialistas em turismo recomendam adquirir a passagem com antecedência pela internet.
Isso evita imprevistos, especialmente em períodos de maior movimento turístico na região.
Infraestrutura e experiência de viagem
Com a retomada das operações, a companhia responsável pelo trem informou que buscou melhorar as condições da viagem, oferecendo maior conforto aos passageiros.
Mesmo assim, a experiência ainda é considerada simples quando comparada a trens turísticos de luxo encontrados em outros países.
Relatos de viajantes indicam que o ambiente é bastante informal, com pessoas circulando pelos vagões e interagindo durante o percurso.
Esse perfil faz com que o trajeto seja visto como uma experiência mais autêntica e voltada a viajantes que buscam contato direto com a realidade local.
Como brasileiros podem fazer a viagem
Brasileiros que desejam realizar a viagem de trem até Santa Cruz de la Sierra não precisam solicitar visto para entrar na Bolívia.
No entanto, é necessário passar pelo processo de imigração no Posto Esdras, localizado na fronteira entre os dois países.
Para cruzar a fronteira, o viajante deve apresentar passaporte válido ou carteira de identidade recente. O documento precisa estar em bom estado de conservação e dentro do prazo aceito pelas autoridades migratórias.
Outro requisito importante é apresentar o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, exigido para entrada no país.
Como chegar à estação do trem
Após atravessar a fronteira e chegar à cidade de Puerto Quijarro, os viajantes precisam se deslocar até a estação ferroviária.
A estação fica localizada a aproximadamente 1 a 2 quilômetros da área de fronteira, podendo ser acessada por táxi ou transporte local.
No local há bilheteria para compra de passagens, mas a disponibilidade pode variar dependendo da demanda.
Por isso, a recomendação é garantir o bilhete antecipadamente, principalmente em épocas de maior procura.
Santa Cruz de la Sierra é porta de entrada para outros destinos
Embora Santa Cruz de la Sierra não seja considerada um destino turístico clássico como outras cidades bolivianas, ela funciona como um importante ponto de conexão dentro do país.
A partir da cidade, viajantes podem seguir viagem para diversos destinos conhecidos da Bolívia.
Entre eles estão cidades históricas como Sucre, a capital constitucional do país, e também La Paz, sede do governo boliviano.
Outros destinos bastante procurados por turistas incluem o Lago Titicaca e o famoso Salar de Uyuni, considerado o maior deserto de sal do planeta.
Origem do apelido “Trem da Morte”
O nome que tornou o Expresso Oriental famoso internacionalmente tem origem em histórias relacionadas ao passado da ferrovia.
Uma das versões mais conhecidas aponta que, durante o século XX, surtos de febre amarela e malária atingiram a região por onde passa a linha ferroviária.
Nesse período, o trem teria sido utilizado para transportar pessoas doentes e até vítimas das epidemias que atingiram trabalhadores e moradores da área.
Esses relatos ajudaram a consolidar o apelido sombrio que acompanha o trem até hoje.
Condições antigas da ferrovia ajudaram a criar a fama
Outra explicação para o nome está ligada às condições de trabalho durante a construção da ferrovia.
Segundo relatos históricos, diversos trabalhadores morreram ao longo do processo de implantação da linha devido a doenças tropicais e dificuldades enfrentadas na região.
Além disso, no passado, os trens eram frequentemente descritos como superlotados e sujeitos a problemas mecânicos.
Esses fatores contribuíram para alimentar a reputação dramática que fez o Expresso Oriental ficar conhecido mundialmente como Trem da Morte.
