Visitar Angra dos Reis, um dos destinos mais procurados do litoral fluminense, passou a exigir um planejamento financeiro maior desde o início deste ano. A partir de 1º de janeiro, o município implementou oficialmente a Taxa de Turismo Sustentável (TTS), um novo mecanismo de cobrança voltado a visitantes que chegam à cidade por determinados meios de transporte.
Neste primeiro momento, a taxa incide sobre turistas que desembarcam em Angra dos Reis utilizando ônibus, micro-ônibus, vans de turismo ou navios de cruzeiro. O perfil desse público é bastante comum, especialmente durante a alta temporada, quando o fluxo turístico aumenta de forma significativa.
Segundo a administração municipal, a criação da TTS faz parte de uma estratégia mais ampla para organizar o crescimento do turismo, reduzir impactos ambientais e garantir que a atividade continue sendo uma fonte de desenvolvimento econômico sustentável para a cidade e suas comunidades.

Turismo intenso pressiona infraestrutura de Angra dos Reis
Angra dos Reis recebe, anualmente, cerca de 1,8 milhão de visitantes, número expressivo para um município com características ambientais sensíveis. Desse total, aproximadamente 1,2 milhão de turistas têm como destino a Ilha Grande, um dos cartões-postais mais conhecidos da Costa Verde.
A alta demanda turística gera impactos diretos sobre serviços públicos, mobilidade, limpeza urbana, preservação ambiental e manutenção de áreas naturais. A Prefeitura argumenta que a nova taxa surge como uma ferramenta para equilibrar essa equação, permitindo investimentos contínuos sem comprometer a qualidade de vida dos moradores.
Com praias, ilhas e áreas de preservação que exigem cuidados constantes, o município aposta na TTS como forma de garantir recursos destinados à conservação ambiental e à melhoria da experiência turística.
A proposta também segue uma tendência já adotada por outros destinos turísticos brasileiros e internacionais que enfrentam desafios semelhantes relacionados ao turismo de massa.
Diferença de valores para continente e Ilha Grande
Um dos pontos que mais chamam atenção na nova taxa é a diferença de valores entre quem visita apenas o continente de Angra dos Reis e quem inclui a Ilha Grande no roteiro.
Essa distinção foi pensada levando em conta o volume de visitantes e os custos adicionais de manutenção e preservação associados à Ilha Grande, que concentra grande parte do turismo ecológico da região.
Outro aspecto relevante é que a cobrança da taxa específica para a Ilha Grande só será efetivada após a contratação de uma empresa responsável pela operação do sistema, conforme informado pelo município.
Enquanto isso, os valores anunciados já servem como referência para turistas que planejam viagens futuras, especialmente a partir de 2026.
Implementação gradual da Taxa de Turismo Sustentável
A Prefeitura de Angra dos Reis optou por uma implementação gradual da TTS, dividida em três etapas. O cálculo da taxa foi baseado na Unidade Fiscal de Referência (Ufir), atualmente fixada em R$ 4,75.
Esse modelo progressivo busca minimizar o impacto imediato no turismo e permitir que visitantes e operadoras se adaptem às novas regras ao longo dos próximos anos.
Em 2026, a taxa será aplicada com 50% de desconto. Para quem permanecer até sete dias no continente, o valor será de R$ 23,75 por pessoa, com acréscimo de R$ 2,37 por dia adicional.
No caso de roteiros que incluam a Ilha Grande, o valor previsto é de R$ 47,50, embora essa cobrança ainda dependa da estrutura operacional mencionada pelo município.
Reajustes previstos para os próximos anos
O cronograma de reajustes da TTS já está definido e prevê aumentos progressivos até a aplicação do valor integral. Em 2027, a taxa para visitantes do continente passará para R$ 35,63.
Para quem incluir a Ilha Grande no roteiro em 2027, o valor previsto será de R$ 71,26, refletindo o aumento gradual estipulado pela legislação municipal.
Já em 2028, será aplicada a tarifa cheia, correspondente a 20 Ufirs, o que representa R$ 95 por visitante, com um adicional de R$ 4,75 por dia extra.
Com isso, Angra dos Reis passa a ter uma das taxas de turismo mais estruturadas do país, especialmente em destinos com forte apelo ambiental.
Substituição de taxas antigas e impacto para turistas
A nova Taxa de Turismo Sustentável substitui um modelo anterior que estava em vigor desde 2023. Até então, visitantes que acessavam as ilhas por meio de lanchas turísticas pagavam R$ 10,50.
Já os passageiros de cruzeiros desembarcavam mediante o pagamento de R$ 15,77. Com a nova regra, esses valores foram unificados e elevados para R$ 47,50, com previsão de novos aumentos nos próximos anos.
A mudança representa um impacto significativo no custo final da viagem, especialmente para turistas que optam por passeios marítimos ou cruzeiros.
Por outro lado, a Prefeitura defende que a unificação torna o sistema mais transparente e facilita a fiscalização e arrecadação.
Quem deve pagar a taxa de turismo em Angra dos Reis
A cobrança da TTS é direcionada a turistas que chegam ao município por ônibus, micro-ônibus, vans de turismo ou navios de cruzeiro, tanto em Angra dos Reis quanto em Ilhabela.
A responsabilidade pela cobrança recai sobre agências e operadoras de turismo, que devem incluir o valor nos pacotes vendidos e realizar posteriormente o repasse ao município.
Esse modelo busca evitar cobranças diretas aos visitantes no momento do desembarque, tornando o processo mais organizado.
A fiscalização será feita com base nos registros das operadoras e nos controles de acesso aos principais pontos turísticos.
Isenções previstas na nova legislação
Apesar da ampliação da cobrança, a legislação municipal prevê uma série de isenções. Estão dispensados do pagamento os moradores de Angra dos Reis e seus familiares até o segundo grau.
Também estão isentos prestadores de serviço, crianças de até 12 anos e pessoas com mais de 60 anos, garantindo proteção a grupos específicos.
Outra isenção importante beneficia veículos cadastrados no Cadastur que utilizam o Cais de Santa Luzia para transporte de passageiros com destino a bares, restaurantes e meios de hospedagem registrados no Sistema Digital do Turismo (SDT).
Além disso, turistas que contrataram pacotes até 31 de dezembro de 2025, com embarques programados até 31 de julho de 2026, não serão impactados pela nova taxa.
