Passageiros que viajam para a Europa podem enfrentar filas de até quatro horas nos aeroportos durante o verão do hemisfério norte. O alerta foi feito por entidades que representam aeroportos e companhias aéreas, diante dos impactos do novo sistema eletrônico de entrada e saída de viajantes no Espaço Schengen.
O Entry/Exit System (EES), em funcionamento desde outubro do ano passado, passou a registrar digitalmente a movimentação de cidadãos de fora da União Europeia. Embora tenha sido criado com a promessa de reforçar a segurança e modernizar o controle migratório, o mecanismo vem sendo associado a atrasos significativos nos principais terminais do continente.

Entidades alertam para risco de colapso no verão europeu
Em manifestação conjunta, a Airports Council International (ACI), a Airlines for Europe (A4E) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) afirmaram que o sistema ainda provoca demoras persistentes no controle de fronteiras. Segundo as organizações, a situação pode se agravar nos meses de julho e agosto, período de maior fluxo turístico na Europa.
As associações destacaram que, sem medidas urgentes para ampliar a flexibilidade operacional, existe risco concreto de perturbações graves nos aeroportos. O aumento do número de viajantes durante o verão pode pressionar ainda mais estruturas que já operam no limite.
Carta enviada à Comissão Europeia
As três entidades encaminharam uma carta à Comissão Europeia, direcionada ao setor responsável por Assuntos Internos e Migração. No documento, relataram tempos de espera considerados excessivos, com registros de até duas horas apenas na etapa de controle de passaportes em diversos aeroportos.
Além das filas, as associações apontaram escassez crônica de agentes de fronteira e falhas tecnológicas ainda não solucionadas. Entre os problemas mencionados estão dificuldades nos sistemas automáticos de registro e baixa adesão ao aplicativo de pré-cadastro desenvolvido pela Frontex, agência europeia de gestão de fronteiras.
Impacto direto nas companhias aéreas
O setor aéreo acompanha o cenário com preocupação. O aumento no tempo de processamento migratório pode resultar em passageiros perdendo conexões, especialmente em aeroportos que funcionam como grandes hubs internacionais.
Quando um viajante perde o voo por atraso no controle de fronteira, a companhia aérea pode arcar com custos adicionais, como hospedagem, alimentação e reacomodação. Esse efeito em cadeia pode pressionar ainda mais a operação durante a alta temporada.
Pedido para ampliar possibilidade de suspensão
As entidades solicitaram que os países do Espaço Schengen mantenham a possibilidade de suspender parcial ou totalmente o EES até outubro de 2026. O regulamento atual permite interrupções temporárias de até 90 dias em caso de dificuldades operacionais.
A Comissão Europeia já autorizou extensão adicional para cobrir o período crítico do verão, mas representantes do setor consideram o prazo insuficiente diante da complexidade do sistema e da adaptação necessária nos aeroportos.
Portugal suspendeu sistema em Lisboa após filas de 8 horas
No fim do ano passado, o governo de Portugal decidiu interromper o uso do EES no Aeroporto de Lisboa por três meses. A decisão foi tomada após relatos de passageiros aguardando até oito horas para concluir o processo migratório.
Durante a suspensão, o controle voltou a ser realizado manualmente, com leitura tradicional de passaportes e carimbos físicos. A medida reduziu significativamente o tempo de espera e reorganizou o fluxo no terminal.
Possibilidade de novas interrupções
O sistema deverá operar de forma obrigatória em todos os aeroportos da União Europeia a partir de abril. Ainda assim, o regulamento prevê margem para suspensões temporárias diante de falhas técnicas ou sobrecarga operacional.
Especialistas apontam que o período entre julho e agosto será decisivo para avaliar a estabilidade do EES. Caso o volume de passageiros ultrapasse a capacidade de processamento, novas pausas podem ser consideradas por alguns governos.
Situação em aeroportos com voos diretos para o Brasil
Com o aumento das viagens internacionais entre Brasil e Europa, passageiros brasileiros também podem sentir os efeitos do novo sistema. A situação varia de acordo com o aeroporto e a infraestrutura disponível.
Frankfurt (Alemanha)
O Aeroporto de Frankfurt informou que aproximadamente 80% dos controles de fronteira já utilizam o EES. Até o momento, não foram registrados atrasos prolongados, mas a administração recomenda que viajantes reservem tempo extra para procedimentos de entrada e saída.
Em horários de maior movimento, a orientação é chegar com antecedência ampliada, especialmente para conexões internacionais.
Zurique (Suíça)
Em Zurique, as autoridades classificam a operação como estável. Contudo, alertam que a primeira entrada de cidadãos de países terceiros exige coleta de dados biométricos, o que pode ampliar o tempo de atendimento.
O impacto tende a ser maior nos momentos de pico, quando o número de passageiros simultâneos aumenta consideravelmente.
Madri e Barcelona (Espanha)
O Ministério do Interior da Espanha informou que, até agora, não houve registros de incidentes relevantes ou aglomerações significativas nos aeroportos de Madri e Barcelona.
Mesmo assim, o monitoramento permanece constante para evitar gargalos operacionais durante o verão.
Amsterdã (Holanda)
Na Holanda, a polícia de fronteira afirmou que acompanha continuamente a situação. O objetivo é manter equilíbrio entre segurança reforçada e fluidez no atendimento.
Autoridades não confirmaram atrasos relevantes, mas seguem avaliando o desempenho do sistema em tempo real.
O que é o EES e como funciona o novo controle europeu
O Entry/Exit System é um mecanismo digital que registra entradas e saídas de viajantes de fora do Espaço Schengen em estadias de até 90 dias. O sistema substitui o carimbo manual por um banco de dados eletrônico integrado.
Na prática, o EES coleta dados biométricos, como impressões digitais e imagem facial, além de armazenar informações do passaporte. O objetivo declarado é aumentar a segurança e combater permanências irregulares.
Motivações para adoção do sistema
A União Europeia defende que o modelo fortalece o controle migratório e reduz fraudes de identidade. Também facilita o cálculo automático do tempo de permanência permitido para cada visitante.
A implementação, inicialmente prevista para 2022, foi adiada diversas vezes por dificuldades técnicas em países como Alemanha, Holanda e França, que concentram grande parte do tráfego internacional.
Países que já utilizam o EES
O sistema está ativo em diversos países do Espaço Schengen, incluindo Alemanha, França, Espanha, Itália, Portugal, Holanda, Suíça, Áustria, Bélgica, Grécia e países nórdicos.
Outras nações que adotam o modelo são Bulgária, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Hungria, Islândia, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia e Suécia.
Com o verão europeu se aproximando, autoridades aeroportuárias e companhias aéreas seguem monitorando o desempenho do EES. Passageiros que planejam viagens internacionais devem acompanhar orientações oficiais e considerar margem extra de tempo nos aeroportos.
