Um dos cartões-postais mais famosos do mundo, a Fontana di Trevi, em Roma, passará a ter um novo modelo de visitação. Turistas que desejarem se aproximar da área mais próxima da fonte terão de pagar uma taxa de dois euros, o equivalente a cerca de R$ 13. A medida foi anunciada oficialmente pelo prefeito da capital italiana, Roberto Gualtieri, durante uma entrevista coletiva realizada na sexta-feira (19).
A decisão marca uma mudança significativa na forma como visitantes interagem com o monumento, que recebe milhões de pessoas todos os anos. Embora a fonte permaneça em uma praça pública e continue visível gratuitamente à distância, o acesso ao espaço mais disputado será controlado por meio de ingressos.
A prefeitura de Roma informou que a proposta vinha sendo estudada há meses, como parte de um conjunto de ações voltadas à preservação do patrimônio histórico e à organização do turismo em áreas de grande fluxo.

Como vai funcionar a cobrança para turistas
Segundo o anúncio da administração municipal, a cobrança será aplicada apenas aos visitantes que desejarem entrar na área imediatamente ao redor da Fontana di Trevi. Esse espaço, tradicionalmente tomado por multidões, passará a ter acesso limitado e monitorado.
O prefeito Roberto Gualtieri destacou que a iniciativa busca melhorar a experiência dos turistas e, ao mesmo tempo, proteger um dos monumentos mais icônicos de Roma. A ideia é reduzir a superlotação, facilitar a circulação e minimizar danos causados pelo excesso de pessoas.
Acesso gratuito continua garantido
Apesar da nova taxa, a prefeitura reforçou que ninguém será impedido de ver a Fontana di Trevi. O monumento continuará podendo ser apreciado gratuitamente a partir das áreas externas da praça, sem qualquer cobrança.
A diferença estará na proximidade. Apenas quem adquirir o ingresso poderá chegar mais perto da fonte, tirar fotos com menos aglomeração e participar da tradicional prática de jogar moedas na água.
Medida responde à pressão do turismo em massa
Roma enfrenta, há anos, desafios relacionados ao turismo em massa. Pontos históricos como o Coliseu, o Vaticano e a Fontana di Trevi recebem um volume de visitantes muito superior à capacidade ideal de preservação.
De acordo com a prefeitura, a cobrança simbólica de dois euros não tem caráter arrecadatório, mas educativo e organizacional. O objetivo principal é estimular um comportamento mais consciente por parte dos visitantes.
Experiência turística mais organizada
Autoridades locais acreditam que o controle de acesso permitirá uma experiência mais tranquila e segura. Com menos pessoas ao mesmo tempo, turistas poderão apreciar melhor os detalhes arquitetônicos e históricos da fonte.
Além disso, a organização do fluxo facilita o trabalho de limpeza, manutenção e segurança, áreas que exigem investimentos constantes devido ao alto número de visitantes.
A tradição das moedas na Fontana di Trevi
A Fontana di Trevi é famosa mundialmente por uma tradição que atravessa gerações. Segundo o costume popular, quem joga uma moeda na fonte garante o retorno a Roma. Alguns acreditam que duas moedas trazem amor, enquanto três significam casamento ou separação.
Todos os dias, milhares de moedas são lançadas na água, resultando em uma arrecadação anual estimada em milhões de euros. Esse dinheiro, tradicionalmente, é destinado a ações sociais e instituições de caridade.
Controle também protege a tradição
Com o novo sistema de acesso, a prefeitura espera preservar essa prática simbólica sem comprometer a estrutura do monumento. O excesso de pessoas, além de dificultar a circulação, aumenta o risco de acidentes e danos.
O controle permitirá que a tradição continue sendo vivenciada de forma mais segura, respeitosa e sustentável.
Uma obra-prima do barroco tardio
Concluída em 1762, a Fontana di Trevi é considerada uma das maiores obras-primas do barroco tardio. O monumento foi projetado para impressionar, combinando grandiosidade, movimento e riqueza de detalhes.
No centro da composição está o deus Oceano, conduzindo uma carruagem em forma de concha, guiada por tritões. A cena simboliza a domesticação das águas e o domínio humano sobre a natureza.
Importância histórica e artística
A fonte não é apenas um ponto turístico, mas um símbolo da identidade cultural de Roma. Sua construção marcou uma etapa importante da arquitetura urbana da cidade.
Ao longo dos séculos, a Fontana di Trevi tornou-se cenário de eventos históricos, visitas oficiais e manifestações artísticas, consolidando-se como referência mundial.
A Fontana di Trevi no cinema e na cultura popular
Além da arquitetura, a fonte ganhou fama internacional graças ao cinema. Uma das cenas mais icônicas da história do cinema foi gravada ali, no clássico “La Dolce Vita”, dirigido por Federico Fellini.
No filme, a atriz Anita Ekberg entra na fonte durante a madrugada e convida Marcello Mastroianni a acompanhá-la, criando uma imagem que se tornou símbolo do cinema italiano.
Impacto cultural que atravessa gerações
A cena ajudou a eternizar a Fontana di Trevi no imaginário coletivo, atraindo ainda mais visitantes ao longo das décadas. Para muitos turistas, visitar a fonte é reviver um momento histórico da cultura cinematográfica.
Essa combinação de arte, história e cultura explica por que a Fontana di Trevi continua sendo um dos locais mais visitados da Europa, mesmo diante de mudanças nas regras de acesso.
Gestão do patrimônio como tendência na Europa
A cobrança anunciada em Roma segue uma tendência observada em outras cidades europeias, que têm adotado medidas semelhantes para proteger patrimônios históricos sobrecarregados pelo turismo.
Veneza, por exemplo, já implementou taxas de acesso em determinados períodos, enquanto museus e monumentos históricos ampliam sistemas de agendamento e limitação de público.
Equilíbrio entre preservação e turismo
Especialistas apontam que o desafio das grandes cidades históricas é encontrar um equilíbrio entre receber visitantes e preservar seus monumentos. A taxa de dois euros é vista como um passo nessa direção.
Com a nova regra, Roma busca garantir que a Fontana di Trevi continue encantando gerações futuras, sem abrir mão da experiência turística que tornou o monumento mundialmente conhecido.
