O Governo do Japão confirmou que pretende implantar um novo modelo de controle migratório para visitantes estrangeiros isentos de visto, incluindo cidadãos brasileiros. A proposta prevê a criação de uma autorização eletrônica obrigatória antes do embarque, com início estimado para 2028. A medida faz parte de um plano estratégico para modernizar a fiscalização nas fronteiras e tornar o processo de entrada no país mais ágil e seguro.
Batizado de Japanese Electronic System for Travel Authorization (JESTA), o mecanismo ainda está em fase de elaboração legislativa. A primeira-ministra Sanae Takaichi informou que o governo trabalha na apresentação de um projeto de lei para formalizar a implementação da plataforma digital, que deverá atingir turistas de 71 nações atualmente dispensadas de visto para estadias de curta duração.
A proposta surge em meio ao crescimento expressivo do fluxo internacional para o arquipélago asiático. Apenas em 2024, o Japão contabilizou 36,9 milhões de visitantes estrangeiros, estabelecendo um novo recorde histórico. O aumento acelerado do turismo tem pressionado aeroportos e postos migratórios, levando as autoridades a buscarem soluções tecnológicas para reforçar a triagem sem comprometer a experiência do viajante.

O que é o JESTA e por que o Japão vai exigir autorização prévia
O JESTA será um sistema digital de autorização de viagem semelhante a modelos já adotados por países como Estados Unidos (ESTA) e Canadá (eTA). Apesar da obrigatoriedade, o governo japonês enfatiza que não se trata de um visto tradicional, mas de uma permissão eletrônica concedida antes do embarque.
A principal finalidade da nova exigência é permitir uma análise antecipada das informações do viajante. Atualmente, muitos dados são verificados apenas após o pouso da aeronave. Com o novo sistema, a avaliação ocorrerá ainda antes da viagem, reduzindo riscos operacionais e fortalecendo o controle nas fronteiras.
Triagem antecipada e reforço na segurança
Entre os objetivos centrais do JESTA está a realização de uma triagem prévia de segurança. As autoridades poderão identificar possíveis inconsistências ou riscos antes mesmo de o turista embarcar para o Japão. Essa antecipação reduz a necessidade de intervenções presenciais mais demoradas nos aeroportos.
O governo também pretende utilizar o sistema como ferramenta para combater permanências irregulares. A checagem antecipada permitirá cruzamento de dados e análise de histórico migratório, contribuindo para impedir entradas indevidas ou estadias além do período autorizado.
Como funcionará a autorização eletrônica para brasileiros
Quando entrar em vigor, o sistema exigirá que turistas brasileiros preencham um formulário online antes da viagem. O cadastro incluirá informações pessoais, dados do passaporte, período de permanência, endereço de hospedagem e roteiro previsto. A submissão deverá ocorrer dentro de um prazo estipulado antes do embarque.
Após o envio das informações, a Agência de Serviços de Imigração do Japão fará a análise da solicitação. A autorização poderá ser concedida ou recusada. Em caso de aprovação, o viajante deverá pagar uma taxa descrita pelo governo como simbólica. Se houver negativa, o passageiro não poderá embarcar.
O que muda na prática para o turista
Hoje, no caso de brasileiros, os dados de viagem são encaminhados pelas companhias aéreas após o embarque, e a avaliação migratória ocorre principalmente no momento da chegada. Com o JESTA, o controle passa a ser antecipado, o que tende a reduzir filas e procedimentos presenciais demorados.
Ao desembarcar no Japão, o visitante previamente autorizado deverá apenas realizar o registro biométrico e passar por um terminal automatizado de triagem. A expectativa das autoridades é que o processo seja significativamente mais rápido do que o modelo atual, diminuindo o tempo médio de permanência nos postos de imigração.
Crescimento do turismo pressiona infraestrutura japonesa
O recorde de visitantes em 2024 reforça a necessidade de adaptação estrutural do país ao novo patamar de demanda internacional. O Japão vive um momento de forte recuperação do setor turístico, impulsionado pela reabertura completa das fronteiras e pela retomada global das viagens.
Cidades como Tóquio, Osaka e Kyoto têm registrado alta ocupação hoteleira e aumento constante no fluxo de passageiros em aeroportos internacionais. O governo avalia que, sem modernização dos sistemas de controle, o crescimento contínuo pode gerar gargalos operacionais e impactar a experiência dos visitantes.
Impactos esperados nos aeroportos
Com a implementação do JESTA, a tendência é que parte da burocracia seja resolvida antes da chegada ao território japonês. Isso permitirá redistribuir recursos humanos nos aeroportos e priorizar casos que exijam verificação adicional.
Especialistas em mobilidade internacional apontam que sistemas de autorização eletrônica costumam reduzir filas e melhorar a previsibilidade operacional. A digitalização também facilita auditorias, rastreamento de dados e integração com bancos de informações internacionais.
Projeto de lei ainda será apresentado
Embora o anúncio oficial já tenha sido feito, o sistema ainda depende de tramitação legislativa. A primeira-ministra Sanae Takaichi informou que o Executivo trabalha na elaboração do texto que regulamentará o funcionamento do JESTA, incluindo critérios de análise e valores da taxa administrativa.
A previsão é que o sistema comece a operar em abril de 2028. Até lá, o governo japonês deverá detalhar prazos para solicitação, tempo de validade da autorização e possíveis exceções. Turistas que já planejam viagens futuras devem acompanhar as atualizações oficiais.
Brasil está entre os países afetados
O Brasil integra a lista de 71 países que atualmente não precisam de visto para estadias curtas no Japão. Com a nova regra, brasileiros continuarão dispensados do visto tradicional, mas precisarão solicitar a autorização eletrônica obrigatória antes do embarque.
A mudança não altera o tempo máximo de permanência permitido para turismo, mas adiciona uma etapa prévia ao planejamento da viagem. Especialistas recomendam atenção aos prazos e exigências quando o sistema estiver oficialmente regulamentado.
Digitalização avança no controle migratório global
A adoção de sistemas eletrônicos de autorização de viagem tem se tornado tendência internacional. Países buscam equilibrar abertura ao turismo com controle mais rigoroso de fronteiras, utilizando tecnologia para antecipar análises e reduzir riscos.
No caso japonês, a estratégia combina modernização administrativa com resposta ao crescimento recorde de visitantes. O governo aposta que o modelo permitirá manter o país como destino competitivo, ao mesmo tempo em que fortalece a segurança e a eficiência operacional.
Com a previsão de início em 2028, viajantes que planejam conhecer o Japão nos próximos anos devem ficar atentos às novas regras. A recomendação é acompanhar comunicados oficiais e incluir a futura autorização eletrônica no checklist obrigatório antes de comprar passagens e organizar o roteiro.
