A Nova Zelândia confirmou que passará a cobrar, a partir de 2027, uma nova taxa de acesso para turistas estrangeiros que visitarem quatro de seus destinos naturais mais famosos.
O valor deverá variar entre 20 e 40 dólares neozelandeses (aproximadamente R$ 64 a R$ 129 na cotação atual), com a justificativa de destinar os recursos para ações de preservação ambiental. Apesar da proposta, o anúncio já provoca debates e críticas no país.

Quais atrações da Nova Zelândia terão cobrança?
As áreas que passarão a ter tarifa de entrada são:
- Cathedral Cove/Te Whanganui-a-Hei
- Trilha Tongariro Crossing
- Fiorde Milford Sound
- Montanha Aoraki Mount Cook
Segundo dados oficiais, cerca de 80% dos visitantes desses locais são turistas internacionais. A expectativa do governo é arrecadar aproximadamente 62 milhões de dólares neozelandeses por ano com a nova cobrança, aplicando o montante em programas de conservação ambiental.
Ligação com a atual Lei de Conservação
A iniciativa complementa medidas já existentes, como a Taxa Internacional de Conservação e Turismo (IVL), criada em 2019. Inicialmente, a IVL custava 35 dólares neozelandeses, mas desde o ano passado passou para 100 dólares (cerca de R$ 324). O valor é pago no momento da solicitação do visto eletrônico NZeTA, que custa outros 17 dólares neozelandeses. Tanto a taxa quanto o visto podem ser solicitados pelo site ou aplicativo oficial do governo.
Com isso, a partir de 2027, quem viajar ao país não só pagará o visto e a IVL, como também precisará arcar com o valor adicional para visitar essas atrações específicas.
Controvérsias e críticas
O plano não veio sem polêmica. Enquanto anuncia a cobrança para visitantes estrangeiros, o governo também discute a possibilidade de flexibilizar concessões para empresas atuarem em áreas atualmente protegidas. Esse movimento levanta questionamentos sobre a real prioridade da medida e se a preservação ambiental é, de fato, o objetivo principal.
Taxas turísticas no mundo
A cobrança por acesso a áreas turísticas não é exclusividade da Nova Zelândia. Destinos internacionais têm adotado políticas semelhantes para controlar o fluxo de visitantes e mitigar impactos ambientais e sociais do turismo de massa.
Na Europa, por exemplo, Veneza cobra taxa de hospedagem e limita o número de visitantes, enquanto a Grécia restringe a quantidade de cruzeiros em determinadas ilhas. Já em Ibiza, na Espanha, há limites para a circulação de veículos durante a alta temporada. Em Barcelona e Madri, protestos de moradores chamaram atenção para os efeitos do turismo excessivo. Barcelona, inclusive, anunciou que pretende proibir o aluguel de apartamentos por temporada via plataformas como o Airbnb até 2028.
Exemplos no Brasil
No cenário nacional, o caso mais emblemático é Fernando de Noronha, arquipélago que cobra a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) para cada dia de permanência do visitante. Atualmente, o valor é de R$ 101,33 por pessoa, medida que visa financiar ações de manutenção e preservação do ecossistema local.
Com a tendência crescente de tarifar o acesso a pontos turísticos, a decisão da Nova Zelândia segue um movimento global que busca equilibrar a exploração turística com a conservação ambiental. A expectativa é que até 2027 o país defina todos os detalhes operacionais para a nova cobrança e o destino dos recursos arrecadados.
