Após uma longa espera e sucessivos adiamentos, o sistema de aeromóvel do Aeroporto Internacional de Guarulhos finalmente começou a transportar passageiros — ainda que de forma limitada. Os primeiros testes com pessoas a bordo ocorreram na noite de ontem, marcando a primeira vez que os trens circularam oficialmente desde o início das obras. No entanto, neste primeiro momento, apenas funcionários que trabalham no aeroporto poderão utilizar o serviço.
Segundo a GRU Airport, concessionária responsável pelo aeroporto, e o consórcio AeroGRU, o uso do aeromóvel será restrito a trabalhadores durante todo o mês. A operação controlada faz parte do processo de monitoramento técnico, enquanto ajustes finais são concluídos antes da liberação ao público geral. A previsão é que o sistema seja aberto oficialmente aos passageiros em janeiro.

Operação parcial: horários limitados e monitoramento técnico
Nesta etapa inicial, os trens circulam diariamente das 18h à 0h. O acesso é gratuito para os funcionários do aeroporto, que estão ajudando a testar o fluxo de passageiros, o embarque e o desembarque. A velocidade dos veículos também está reduzida, já que engenheiros e técnicos acompanham de perto cada viagem para avaliar desempenho, segurança e resposta do sistema.
A operação acontece com apenas um trem em funcionamento, com intervalos médios de 15 minutos entre as partidas. A escolha por operar dessa forma visa reduzir riscos durante a fase de ajustes e permite que a equipe responsável identifique possíveis falhas no sistema automático de transporte.
Funcionamento completo previsto para janeiro de 2026
Quando for oficialmente inaugurado para o público geral, o aeromóvel passará a operar nos mesmos horários da Linha 13-Jade da CPTM, ou seja, das 4h à 0h todos os dias. A integração com a linha ferroviária é um dos pontos mais aguardados pelos usuários, já que facilitará o deslocamento entre os terminais do Aeroporto de Guarulhos e a rede metropolitana de trens de São Paulo.
O trajeto do aeromóvel tem pouco mais de 2 quilômetros por sentido, conectando todos os terminais ao sistema ferroviário. Com três trens e capacidade total de 200 passageiros por composição, a previsão é que o percurso seja realizado em aproximadamente seis minutos quando estiver na velocidade planejada.
Desempenho reduzido na fase de testes
Neste período preliminar, o aeromóvel opera em ritmo mais lento para que cada detalhe técnico seja observado. A tecnologia utilizada no sistema prevê operação automática no nível GoA4, sem operador a bordo, o que exige certificações rigorosas e uma série de testes estruturais.
A AeroGRU informou que essa etapa é indispensável para garantir que o serviço seja inaugurado com segurança máxima. A empresa reforçou que a implementação de um modal totalmente automatizado requer precisão e análise contínua, especialmente em seus primeiros dias de circulação.
Uma espera de mais de uma década
O longo intervalo entre o anúncio e a operação do aeromóvel tem chamado atenção desde o início do projeto. São 12 anos de espera até que os testes com passageiros fossem iniciados. O planejamento original surgiu em 2013, e desde então passou por reelaborações, licitações, mudanças contratuais e reavaliações técnicas.
As obras com previsão de entrega para fevereiro de 2024 começaram oficialmente em janeiro de 2022. No entanto, a data foi adiada diversas vezes: primeiro para agosto de 2024, depois para janeiro de 2025. Em março deste ano, o prazo foi novamente ampliado para o segundo semestre, chegando à expectativa de agosto e, posteriormente, setembro — até que a operação parcial finalmente começou.
Investimento de R$ 300 milhões e questionamentos
O projeto recebeu cerca de R$ 300 milhões em investimentos, somando recursos públicos federais e capital privado. A prolongada execução da obra motivou questionamentos da sociedade e de autoridades reguladoras, que cobraram explicações sobre os atrasos.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) chegou a abrir um processo administrativo em maio para apurar possível descumprimento contratual pela concessionária GRU Airport. O procedimento segue em análise, enquanto o sistema segue sua fase de testes.
Problemas técnicos e questões de segurança
Em agosto, uma reportagem da TV Globo revelou que o sistema de locomoção dos trens apresentava falhas, e que profissionais estavam avaliando ajustes mecânicos para garantir o movimento correto dos veículos. O consórcio responsável não detalhou publicamente quais eram os problemas, mas confirmou que seu processo de certificação é complexo.
No mês de outubro, a AeroGRU divulgou nota afirmando que a certificação de sistemas de transporte totalmente automatizados é “extremamente rigorosa” e segue padrões internacionais. A empresa destacou ainda que o modal foi desenvolvido para operar sem condutor e sem inspetor a bordo, aumentando ainda mais as exigências de segurança.
A importância do sistema para a mobilidade aeroportuária
O aeromóvel é projetado para facilitar o deslocamento dentro do maior aeroporto do país, ampliando a integração com o transporte metropolitano. Quando operando em plena capacidade, o sistema deve reduzir o tempo de conexão entre terminais e diminuir a dependência de ônibus internos.
Além disso, sua operação automatizada representa uma inovação no transporte brasileiro, trazendo ao país uma tecnologia já utilizada em outros aeroportos de grande porte ao redor do mundo. A expectativa é que o modal contribua para tornar o deslocamento mais eficiente, confortável e sustentável.
Próximos passos até a abertura ao público
Os testes devem continuar ao longo de dezembro, com ajustes progressivos na velocidade, no intervalo entre viagens e na quantidade de trens em circulação. A GRU Airport reiterou que só abrirá o sistema ao público quando todos os requisitos de segurança forem atendidos.
Até lá, o aeromóvel segue operando de forma experimental com equipes técnicas embarcadas e monitoramento constante. A promessa é que janeiro marque o início da operação regular, colocando fim à longa espera de usuários que sonham com integração plena entre o aeroporto e a CPTM.
