Gramado, na Serra Gaúcha, acende seus holofotes para a 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que tem início nesta quarta-feira (13). O evento transforma a cidade em um grande set a céu aberto, reunindo público, profissionais da indústria e novas vozes do audiovisual brasileiro. A dinâmica de abertura concentra os olhares no Palácio dos Festivais, ponto de encontro de cinéfilos e visitantes que chegam desde as primeiras horas do dia.
A fachada do icônico prédio no centro da cidade passa pelos últimos ajustes, com a colocação do tapete vermelho e a instalação de iluminação cênica, elementos que reforçam a atmosfera clássica do festival. O espaço volta a ocupar o papel de palco simbólico onde a trajetória do cinema nacional se cruza com a história e a vocação cultural de Gramado, preservando a memória do evento e impulsionando novas narrativas.

Programação começa antes da abertura oficial
Mesmo com o burburinho de estreia nesta quarta, a abertura oficial acontece apenas na sexta-feira (15), com o desfile tradicional no tapete vermelho. A sessão de gala exibirá o longa “O Último Azul”, dirigido por Gabriel Mascaro, marcando o ponto alto da primeira grande noite do festival.
Antes disso, o público é convidado a acompanhar, de forma gratuita, a 1ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil, que também estreia nesta quarta (13). A iniciativa dá visibilidade a produções de jovens realizadores, reforçando a ponte entre formação e mercado. A presença estudantil amplia a diversidade de olhares e estimula a circulação de novos talentos no circuito.
Homenagens a trajetórias que marcaram o audiovisual
A edição deste ano presta tributos a três nomes que ajudaram a escrever capítulos relevantes do cinema brasileiro. A atriz Marcélia Cartaxo recebe o Troféu Oscarito, distinção dedicada a intérpretes cuja trajetória dialoga com a história da sétima arte no país.
Na seara da produção e direção, Mariza Leão é reconhecida com o Troféu Eduardo Abelin, honraria voltada a quem impulsiona bastidores, viabiliza projetos e estrutura narrativas. Já o ator Rodrigo Santoro, com projeção internacional, será celebrado com o Kikito de Cristal, homenagem que destaca percursos que ressoam além das fronteiras brasileiras.
Ingressos, valores e acesso às sessões
Os ingressos para as sessões e homenagens estão disponíveis no site oficial do evento. As datas 13 e 14 de agosto contam com entrada gratuita, favorecendo o acesso de moradores e turistas às primeiras atrações. Para a abertura (15), as vendas já estão esgotadas, reflexo do interesse do público pelas cerimônias de gala.
Entre 16 e 22 de agosto, as sessões noturnas no Palácio dos Festivais têm bilhetes a R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia) por dia. As exibições da manhã e da tarde seguem com acesso gratuito, ampliando a experiência cinematográfica ao longo de toda a jornada. Para o encerramento (23), os valores são de R$ 280 (inteira) e R$ 140 (meia), na noite em que serão revelados os vencedores das mostras competitivas.
Disputa pelo kikito reúne seis longas brasileiros
A corrida pelo Kikito, troféu máximo do festival, movimenta seis produções nacionais que serão exibidas ao longo da programação oficial no Palácio dos Festivais. Concorrendo ao prêmio, estão:
“A Natureza das Coisas Invisíveis” (DF), de Rafaela Camelo;
“Cinco Tipos de Medo” (MT), de Bruno Bini;
“Nó” (PR), de Laís Melo;
“Papagaios” (RJ), de Douglas Soares;
“Querido Mundo” (RJ), de Miguel Falabella;
“Sonhar com Leões” (SP), de Paolo Marinou-Blanco.
As obras dialogam com diferentes matrizes estéticas e recortes temáticos, reforçando a pluralidade do cinema brasileiro contemporâneo. O confronto entre estilos e abordagens deve aquecer os debates após as sessões, estendendo a programação para além da sala escura.
Documentários em foco e diversidade nos curtas
Longas-metragens documentais
A mostra de longas documentais apresenta títulos que percorrem memórias, territórios e experiências coletivas. Estão na disputa “Até Onde a Vista Alcança” (SP), de Alice Villela e Hidalgo Romero; “Lendo o Mundo” (RN), de Catherine Murphy; “Os Avós” (AM), de Ana Ligia Pimentel; e “Para Vigo Me Voy!” (RJ), de Lírio Ferreira e Karen Harley.
As produções se debruçam sobre fronteiras simbólicas e reais, ampliando a compreensão do espectro documental no Brasil. A curadoria valoriza a multiplicidade de olhares, favorecendo narrativas que questionam, preservam memórias e propõem novos modos de observar o cotidiano.
Curtas brasileiros
Na seara dos curtas-metragens, a lista contempla uma ampla gama de propostas. Entre os selecionados estão “Aconteceu a Luz da Lua” (RS), de Crystom Afronário; “Boiuna” (PA), de Adriana de Faria; “Cabeça de Boi” (SP), de Lucas Zacarias; “FrutaFizz” (SP), de Kauan Okuma Bueno; “Jacaré” (BA), de Victor Quintanilha; e “Jeguatá Xirê” (RS), de Alan Alves-Brito, Ana Moura e Marcelo Freire.
A seleção também inclui “O Mapa Em Que Estão Meus Pés” (AL), de Luciano Pedro Jr.; “Na Volta Eu Te Encontro” (BA), de Urânia Munzanzu; “As Musas” (PE), de Rosa Fernan; “Quando Eu For Grande” (PR), de Mano Cappu; “Réquiem Para Moïse” (RJ), de Caio Barretto Briso e Susanna Lira; e “Samba Infinito” (RJ), de Leonardo Martinelli. A variedade temática reafirma a vitalidade do formato curto como laboratório de linguagem e campo de renovação de carreiras.
Produção gaúcha em destaque nas telas
Longas gaúchos
Com olhar voltado à cena local, a programação traz os longas “Bicho Monstro”, de Germano de Oliveira; “Passaporte Memória”, de Decio Antunes; “Quando a Gente Menina Cresce”, de Neli Mombelli; “Rua do Pescador Nº 6”, de Bárbara Paz; e “Uma em Mil”, de Jonatas Rubert e Tiago Rubert. As histórias abordam recortes sociais, intimismos e deslocamentos, consolidando o estado como um polo de criação audiovisual.
Curtas gaúchos – prêmio assembleia legislativa
Na disputa regional de curtas, que concorrem ao Prêmio Assembleia Legislativa, figuram produções de diferentes cidades. Entre elas, “Bom Dia, Maika!” (Santa Cruz do Sul), de Eddy Ramos; “O Correspondente” (Santo Antônio da Patrulha), de Thali Bartikoski e Bruno Barcelos; “E Depois de Fevereiro” (São Leopoldo), de Crystom Afronário; “Enfim S.O.S.” (Porto Alegre), de Zaracla; e “Estudos Sobre a Vida em Rede” (Lajeado), de Tuane Eggers.
Também estão na lista “Fuá – O Sonho” (Canela), de Viviane Jag Fej Farias e Amallia Brandolff; “Gambá” (Teutônia), de Maciel Fischer; “Imigrante/Habitante” (Porto Alegre), de Cassio Tolpolar; “O Jogo” (Pelotas), de Alexandre Mattos Meireles e Chico Maximila; “Mãe da Manhã” (Porto Alegre), de Clara Trevisan; “Nhemongarai” (Porto Alegre), de Jorge Morinico e Hopi Chapman; e “Perro!” (São Leopoldo), de Aleksia Dias e João Pedro Fiuza.
Completam a seleção “O Pintor” (Santa Cruz do Sul), de Victor Castilhos; “Quando Começa a Chover o Coração Bate Mais Forte” (Porto Alegre), de Mirian Fichtner; “Roxo Lilás Violeta” (Porto Alegre), de Theo Tajes; “Safira, o Mar e a Vida” (Porto Alegre), de Luiz Fonseca; “A Sinaleira Amarela” (Porto Alegre), de Guilherme Carravetta De Carli; e “Trapo” (Uruguaiana), de João Chimendes. O conjunto evidencia o vigor da produção regional e cria um panorama das narrativas que emergem do estado.
Cerimônia de encerramento e expectativa de público
O encerramento está marcado para 23 de agosto, com a cerimônia que revelará os destaques entre longas brasileiros, documentários, curtas nacionais e produções gaúchas. A expectativa é de ocupação intensa nas sessões noturnas e movimentação contínua no entorno do Palácio dos Festivais, com fãs buscando fotos, autógrafos e o registro do tapete vermelho.
Além do impacto simbólico, o festival injeta dinamismo na rotina da cidade, aquecendo setores como hotelaria, gastronomia e serviços. A circulação de profissionais, convidados e público reforça a relevância do encontro anual para a economia criativa, enquanto a visibilidade nacional projeta Gramado, mais uma vez, no mapa dos grandes eventos culturais.
Como acompanhar e participar
O público pode consultar a programação completa nas plataformas oficiais do festival e organizar a agenda conforme as estreias, as homenagens e a disponibilidade de ingressos. Quem pretende assistir às sessões de gala deve se planejar, especialmente em datas de maior procura, como abertura e encerramento. Para as sessões gratuitas da manhã e da tarde, a recomendação é chegar com antecedência para garantir lugar.
Com a cidade em clima de festa e as telas prontas para receber histórias de diferentes partes do país, o Festival de Cinema de Gramado reafirma sua vocação de revelar talentos, celebrar trajetórias e aproximar o público do cinema brasileiro. A combinação de estreias, mostras competitivas e homenagens sustenta a tradição do evento e consolida Gramado como referência continental em divulgação e apreciação audiovisual.
