A Polícia Federal (PF) voltou a emitir um alerta preocupante sobre a possibilidade de suspender a emissão de passaportes em todo o país já a partir do dia 3 de novembro. O comunicado foi feito pelo diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, que destacou a necessidade urgente de um repasse de R$ 97,5 milhões para garantir a continuidade do serviço.
Em documento encaminhado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, o diretor informou que, sem esse valor, não haverá outra alternativa senão a paralisação das atividades. Segundo Rodrigues, o governo federal tem sido informado sobre o problema desde abril, mas ainda não tomou providências para liberar o orçamento adicional. Ele alertou que a situação exige uma solução “com a máxima urgência” para que a sociedade não seja prejudicada.
A preocupação é grande, já que o serviço de emissão de passaportes é essencial e atende milhares de brasileiros todos os dias. O último episódio de paralisação ocorreu em 2022, quando a PF suspendeu o serviço por um mês entre novembro e dezembro, também por falta de verbas.

Governo busca solução para evitar a interrupção
Em nota enviada à imprensa, o Ministério da Justiça afirmou que mantém diálogo constante com a área econômica do governo para viabilizar os recursos necessários. A pasta garantiu que “todas as medidas estão sendo adotadas para evitar a interrupção do serviço” e reforçou que a emissão de passaportes é considerada uma prioridade.
Apesar das negociações, o clima dentro da corporação é de apreensão. Fontes ligadas à PF confirmam que o risco de suspensão é real, caso o repasse não ocorra nos próximos dias. A preocupação é ainda maior porque o período coincide com o aumento da demanda por viagens internacionais de fim de ano.
A falta de recursos afeta diretamente os contratos de manutenção, segurança digital e fornecimento de insumos. Esses serviços são indispensáveis para a produção e entrega dos passaportes em todo o país.
Falta de Verbas Afeta o Funcionamento do Sistema
De acordo com a Polícia Federal, o déficit orçamentário atinge áreas estratégicas da instituição. A emissão de passaportes depende de um sistema tecnológico de alto custo, que requer manutenção contínua e suporte técnico especializado. Sem os repasses, há risco de paralisação dos contratos com empresas terceirizadas responsáveis pela impressão e controle dos documentos.
O diretor-geral Andrei Rodrigues destacou que o serviço é de caráter essencial e não pode ser interrompido sem causar prejuízos significativos à população. Ele defendeu que o pedido de suplementação orçamentária seja atendido “com prioridade máxima”, já que a demanda por novos passaportes cresce a cada ano.
Além da questão operacional, há receio de que uma nova paralisação prejudique a imagem institucional da PF. Em 2022, a interrupção provocou longas filas, atrasos nas viagens e grande insatisfação popular. A situação gerou críticas ao governo e expôs a fragilidade do sistema orçamentário voltado a serviços públicos essenciais.
Taxa atual não cobre os custos de emissão de passaporte
A taxa de emissão do passaporte atualmente é de R$ 257,25. Contudo, a própria Polícia Federal já afirmou que o valor arrecadado não cobre os custos operacionais do serviço. O documento envolve etapas caras, como a compra de insumos, tecnologia de segurança, transporte e impressão.
A defasagem no valor da taxa, somada ao aumento da demanda, contribui para o desequilíbrio financeiro. Mesmo com reajustes realizados nos últimos anos, as despesas cresceram acima do previsto. O resultado é um déficit constante, que obriga a PF a solicitar recursos extras todos os anos para manter o sistema ativo.
Há discussões internas sobre a possibilidade de reajuste da taxa, mas a medida depende de autorização do Ministério da Justiça e do Ministério da Economia. Segundo fontes do governo, qualquer alteração de valor exigiria um novo decreto, o que torna improvável a aplicação imediata de uma mudança tarifária.
Histórico de crises e paralisações
A ameaça de interrupção na emissão de passaportes não é um fato inédito. Em novembro de 2022, a Polícia Federal foi obrigada a suspender o serviço por quase 30 dias, em razão da falta de verbas. Na época, o impasse só foi resolvido após um repasse emergencial de recursos aprovado no fim de dezembro.
O problema, segundo especialistas, está ligado à forma como o orçamento federal é distribuído. A PF depende de autorizações do governo para acessar parte do dinheiro arrecadado com as taxas pagas pelos cidadãos. Isso significa que, mesmo arrecadando valores suficientes, o órgão só pode utilizar os recursos se houver liberação formal do Tesouro Nacional.
A repetição desse tipo de situação gera insegurança e desgaste para a instituição, além de afetar a credibilidade do país no exterior, já que muitos cidadãos enfrentam dificuldades para cumprir compromissos internacionais.
Planejamento do Governo e expectativas
O Ministério do Planejamento informou que o pedido da Polícia Federal está sendo analisado e que o governo busca alternativas para garantir a continuidade do serviço. Entre as possibilidades, está a liberação parcial dos recursos solicitados, o que manteria o sistema funcionando por mais algumas semanas, enquanto se busca uma solução definitiva.
No entanto, técnicos da área econômica reconhecem que o orçamento de 2025 está apertado e que qualquer repasse adicional exigirá realocação de verbas. A meta é evitar que o problema se agrave e cause uma nova paralisação, especialmente em um período de alta demanda.
O que fazer em caso de suspensão
Enquanto não há definição sobre o repasse, especialistas orientam que quem precisa tirar ou renovar o passaporte adiante o processo. O agendamento é feito exclusivamente pelo site da Polícia Federal, onde o cidadão deve preencher o formulário, pagar a taxa e escolher uma data para atendimento.
O prazo médio de entrega é de seis a dez dias úteis, mas pode variar de acordo com a região e a quantidade de pedidos. Em caso de interrupção do serviço, a PF deverá informar os cidadãos sobre prazos e alternativas.
Quem possui viagens marcadas para os próximos meses deve acompanhar as atualizações e manter a documentação em dia para evitar transtornos.
A expectativa é de que o governo anuncie uma decisão sobre o repasse ainda em outubro, evitando a paralisação em pleno início da temporada de férias. Até lá, a Polícia Federal segue operando normalmente, mas em estado de alerta.
