A polêmica sobre a cobrança de bagagem de mão voltou a ganhar força em Brasília. Após a Gol implementar uma nova tarifa que limita a franquia apenas a bolsas ou mochilas em voos internacionais, a Câmara dos Deputados sinalizou que pode colocar fim à prática. A Latam já adota modelo semelhante há mais de um ano, também em rotas internacionais, e a medida tem causado insatisfação entre passageiros.
Na tarde de ontem, o presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a decisão das companhias como um “abuso” e anunciou que irá pautar com urgência um projeto de lei que busca assegurar o transporte gratuito de malas de mão em voos nacionais e internacionais que passem pelo Brasil. A iniciativa promete reabrir o debate sobre os limites de cobrança no setor aéreo.

Projeto De Lei Em Discussão
O projeto mencionado por Motta é o PL 5041/25, de autoria do deputado Da Vitoria (PP-ES). O texto garante ao passageiro o direito de levar uma mala de mão e um item pessoal sem custo adicional, desde que respeitados os limites estabelecidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A proposta, se aprovada, deverá abranger tanto companhias aéreas nacionais quanto estrangeiras que operem em território brasileiro.
Segundo o parlamentar, o objetivo é assegurar os direitos dos consumidores e evitar a ampliação de cobranças que afetam diretamente o bolso dos viajantes. Nas redes sociais, Hugo Motta destacou que o tema é prioridade: “O consumidor vem em primeiro lugar”, afirmou o presidente da Câmara, reforçando o tom de enfrentamento em relação às empresas.
O Que Prevê A Legislação Atual
A legislação em vigor sobre o transporte de bagagem de mão está descrita no artigo 14 da Resolução 400 da Anac. O texto determina que cada passageiro tem direito a transportar, sem custo adicional, ao menos 10 quilos de bagagem de mão, mas deixa a critério das companhias aéreas a definição sobre as dimensões e a quantidade de peças permitidas.
Esse espaço na regulamentação possibilita interpretações variadas. Enquanto algumas empresas optam por permitir mala e item pessoal, outras, como Gol e Latam, passaram a restringir o benefício em determinadas tarifas, atendendo apenas ao mínimo previsto pela resolução. Na prática, isso significa que o passageiro pode levar somente uma mochila ou bolsa de até 10 kg a bordo.
Posicionamento Das Companhias
A decisão da Gol, que entrou em vigor nesta semana para voos internacionais com origem no exterior, provocou reações imediatas no setor político. A Latam já havia adotado medida semelhante em todos os voos internacionais há pouco mais de um ano. Ambas sustentam que a prática está em conformidade com a legislação vigente e segue os parâmetros estabelecidos pela Anac.
Por outro lado, especialistas em direito do consumidor avaliam que a restrição pode abrir precedentes para que, futuramente, seja aplicada também em voos domésticos. Até agora, nenhuma companhia aérea brasileira utilizou esse modelo em rotas nacionais, mas a possibilidade preocupa entidades de defesa do consumidor.
Como Funciona A Bagagem De Mão No Brasil
Atualmente, as principais companhias que operam em território nacional — Azul, Gol e Latam — permitem que o passageiro leve dois volumes em voos domésticos. O primeiro é um item pessoal, como bolsa ou mochila de até 10 kg, que deve ser colocado embaixo do assento da frente. O segundo corresponde a uma mala de mão maior, geralmente de até 12 kg, destinada aos compartimentos superiores do avião.
Esse formato é considerado por muitos consumidores como um padrão mínimo de conforto, já que garante a possibilidade de transportar roupas e objetos pessoais em viagens curtas sem necessidade de despachar bagagem. A eventual redução dessa franquia em voos domésticos poderia alterar significativamente a experiência do passageiro.
Debate Sobre Direitos Do Consumidor
O anúncio da Câmara reacendeu discussões sobre os direitos do passageiro em viagens aéreas. Organizações de defesa do consumidor afirmam que a cobrança pela mala de mão configura uma forma de reduzir benefícios sem oferecer contrapartidas. A medida, segundo essas entidades, pode resultar em custos adicionais disfarçados nas tarifas mais baratas.
O tema também divide opiniões entre especialistas em aviação. Enquanto alguns defendem que as companhias precisam de liberdade para definir seus modelos de negócio, outros alertam que a prática pode comprometer a transparência e prejudicar a confiança dos clientes.
Impactos Econômicos E Setoriais
Representantes do setor aéreo argumentam que a adoção de tarifas diferenciadas é uma forma de ampliar a competitividade e oferecer opções mais acessíveis. No entanto, críticos apontam que a cobrança por bagagem de mão pode desestimular o turismo e encarecer as viagens de curta duração, que representam grande parte da demanda no Brasil.
A expectativa agora é acompanhar como a Câmara conduzirá a votação do projeto. Caso seja aprovado em regime de urgência, o texto pode avançar rapidamente para o Senado, criando novos parâmetros para o transporte aéreo no país.
Expectativa Para Os Passageiros
Com a movimentação do Legislativo, os passageiros aguardam ansiosos a definição das regras. A incerteza sobre o que será permitido em voos nacionais e internacionais gera dúvidas e reforça a necessidade de regulamentação clara. O desfecho pode representar um marco na relação entre consumidores e companhias aéreas no Brasil.
Enquanto o debate segue em Brasília, o cenário indica que o tema da bagagem de mão permanecerá no centro das atenções, mobilizando não apenas parlamentares e empresas, mas também milhões de passageiros que utilizam o transporte aéreo no país todos os meses.
